
Disse que ele não lhe deu o dinheiro para as compras de Natal; disse que não trabalha porque tem que cuidar dos dois filhos pequenos e da casa e do marido; disse que não ganha nada por seu trabalho doméstico; disse que não volta mais e pronto.
Não usa véu e mora num país livre, onde mulheres decidem seu destino, ainda que a sociedade machista, a política mercantilista e a corrupção “terceiromundista” lhes tornem árduo o exercício deste direito.
- Mas mulheres também são corruptas, não é privilégio masculino.
Claro! E quem falou o contrário? A própria Benazir Bhutto, líder paquistanesa assassinada esta semana, foi acusada de corrupção, deposta e exilada. No Brasil há outras tantas também acusadas. Mas - “Salve, Salve, Mãe da Pátria” – os mecanismos de deposição são outros, ainda que lentos e ineficientes.
- Lá está você novamente se equivocando. Benazir não foi morta por causa de corrupção, mas por representar os interesses norte-americanos num país islâmico.
Pois erraram de novo. Os EUA erraram ao apoiar Pervez Mussharaf pensando com isso poder conter o extremismo e mais ainda erraram ao acreditar que Bhutto, atirada aos leões paquistaneses, viveria para defender seus interesses.
O resultado é este que está aí: uma mulher corajosa morta, um Paquistão cada vez mais violento, um país cada vez mais extremista e uma bomba atômica nas mãos deles.
Num mundo globalizado como este dos últimos vinte anos, como disse Miriam Leitão (jornalista, O Globo on line, 28/12/2007), nenhum país está longe o suficiente do Paquistão. Talvez por isso, em pleno Natal, a bomba caiu atômica na casa dela quando seu marido chegou e encontrou o bilhetinho: “Não volto mais e pronto!”

Quando os fogos de 2008 estourarem em nossos ouvidos, vire o ano de durma com um barulho desses...
Feliz Ano Novo! Vamos tentar novamente.