sexta-feira, novembro 09, 2007

E a vaca foi pro brejo...

Alguém aí achou que seria diferente? No Rio de Janeiro é assim: se a vaca não for pro brejo sozinha, o carioca dá uma forcinha. Isso por causa da festejada hiperatividade crônica carioca, cuja famosa malandragem hoje chacoalha entre o vandalismo e o “vandalismo criativo”. O “ser malandro” hoje tem outra ginga. O cara malandro, mas malandro mesmo, dos dois mil anos, é aquele que emperra e diz:

- Quer apostar que eu faço?

E faz a coisa mais idiota do mundo só pra mostrar que é “fodão”.

- Então... Olha só... Deixaram a vaca ali sozinha porque quiseram. Tava pedindo pra ser pichada, Né? Pô!

Isso de começar uma frase com aquele “entãããão” arrastado é tão irritante quanto ver uma vaca do Cow Parade pichada: avacalhação! Tenho a impressão que o carioca arrasta esse “então” no começo da frase para dar tempo de pensar o que vai dizer no resto dela. Pior que isso só mesmo terminá-la com “pô”. Brilhante conclusão!

Assim como o leitor, eu também estou aqui matutando no significado da expressão “vandalismo criativo”, que pra mim parece uma tentativa de justificar o injustificável.

- se você não pode com o inimigo, junte-se a ele.

Deve ser isso. O “criativo” acabou virando o argumento dos covardes que não encontram (ou sequer procuram) as armaduras corretas para suas defesas, produzindo, assim, o espetáculo da “avacalhação carioca”.

- Então... Avacalhação é colocar esse monte de vacas espalhadas pela cidade, pô!

Há quem pense diferente, meu amigo, mas pensar é direito de cada um, ainda que uns tantos tenham pouco sobre o que pensar, e conduzam seus neurônios e minhocas para temas com “a importância das vacas da praia de Copacabana” ou “por que as paredes internas do metrô do Rio ainda não foram pichadas?”.

A parada das vacas tem feito tanto sucesso no Rio de Janeiro que a pichação de uma de suas estrelas tornou-se manchete nos jornais cariocas, que deram ao fato maior destaque do que a muitos outros assuntos importantes, como a estonteante notícias veiculada pelo Jornal Nacional, informando, no final da edição, que um avião da TAM teria feito uma manobra brusca no ar em pleno vôo comercial, assustando os passageiros que, em seguida, foram informados pelo comandante que a guinada serviu para desviar a aeronave de outra vinda em sua direção. Uma bomba no meio do caos aéreo brasileiro! Eu, que passava pela sala no momento da revelação, fiquei aguardando para saber mais, mas... Nem no tele-jornal, nem nos impressos. Ninguém falou mais nada e a vaca foi pro brejo mais uma vez, junto com a BRA.

Enquanto isso, nas esquinas cariocas, andam mugindo:

- Então... Pô!

6 comentários:

gdec disse...

Óh como me ri . Seu blog, que eu já conhecia, é gostosíssimo .
Só fiquei um pouco preocupado com duas coisas. Uma delas é que estou escrevendo brasileiro. E a outra é que eu vivo numa terrinha que se chama BREJOS de Azeitão...
Ah e sabe ? Essa mania das vacas também já deu aqui. Disseram-me que era propaganda a...já não me lembro.
Abraços
Geraldes de Carvalho

Padula, Diego disse...

muito bom seu comentário, ridícula essa situação...

Rodolfo disse...

Cada um dá o que tem. Lamentável que a contribuição de alguns seja tão pouco construtiva.

Divertida a crônica, este blog é um achado!

Parabéns!

tendo tempo, o meu blog está lá... *rs*

Paulla disse...

Entããããão Morgana, adorei seu comentario, principalmente o termo vandalismo criativo! Muito bom mesmo!
Hj em dia o Então, pô, tipo, assim...Entre outros vivaram moda no vocabulário carioca, o portigireis, a mistira de giria no portugues, pior é que os jovens falam e levam isso com eles para todos os lugares, ate nas provas. Triste!
Paulla

Felipe Duarte disse...

a idéia até que é boa, só faltou um pouco de intenção artística.

se fosse um stencil, ou talvez em rodopiantes letrinhas caligráficas, não estariam reclamando.

Concordemos que essas vacas são uma babaquice. o que você atestou com o termo mais educado "humor paulistano." Era necessária uma pequena turba de pessoas iluminadas pra adornar as vacas avacalhantes da maneira que merecem. Mas hoje em dia os grafiteiros estão todos ocupados nas galerias e as vacas ficam a ver navios.

além do mais, uma turba de pessoas iluminadas é uma contradição em termos.

No shopping da gávea tem uma vaca escaladora, andando na parede, fazendo propaganda com a mochila de uma ex-loja de acampamento, agora fashion da estação.

então, se pagar pra avacalhar a vaca, pode.

pô.

Ventura Picasso disse...

Morgana, taí, gostei,

Aqui em Araçatuba-SP está faltando vaca.

Antes terra do boi gordo, hoje da cana-exolosão.

Antes da bacia de Santos, prometeram construir 42 usinas de combustível, possivelmente agora, nem vaca, nem cana - só arroz e feijão - q vc cozinha uma vez ao ano.

Abração...